#38 Notícias da Áustria e Alemanha: pandemia, MA35, eleições, greve e mais

#38 Notícias da Áustria e Alemanha: pandemia, MA35, eleições, greve e mais

União Europeia

A União Europeia não vai reconhecer o governo do Taliban no Afeganistão, segundo a presidente da Comissão Europeia Ursula Von der Leyen. O bloco também não está mantendo nenhuma conversa diplomática com o grupo extremista, que conquistou a capital, Cabul, no domingo passado.

A crise no Afeganistão vem repercutindo na Europa.

A chanceler alemã Angela Merkel já avisou que a ONU e os países vizinhos do Afeganistão vão precisar de apoio para lidar com os refugiados. A Alemanha também está evacuando e recebendo afegãos que trabalham com instituições e imprensa do país.

O chanceler austríaco Sebastian Kurz reiterou que a Áustria não vai receber mais refugiados do Afeganistão. Na crise de 2015 e 2016, o país chegou a receber mais de 40,000 refugiados afegãos, e Kurz cresceu politicamente com um discurso bem rigoroso em relação a esse tema.

Áustria

A Áustria está considerando tornar mais rigorosas as regras de entrada para quem frequenta a chamada “gastronomia noturna”. É possível que a partir de outubro, as baladas estejam abertas apenas para quem se vacinou.

O governo também decidiu retirar a oferta gratuita dos auto testes de antígenos, conhecidos como wohnzimmer tests. A partir de novembro eles serão pagos. Por enquanto, não há indicativo de que outros testes gratuitos, especialmente as ofertas de PCR, também passarão a ser pagos.

A semana também foi marcada pelas falas anônimas de um funcionário do MA35, o órgão do governo responsável por imigração e cidadania. O empregado falou sobre as péssimas condições de trabalho, com telefones tocando o dia todo sem serem atendidos, centenas de email que eles não conseguem responder e atrasos. Nada que quem já tenha tentado renovar o visto ou pegar uma permissão de residência não tenha vivido na pele em Viena. Agora, a pressão é para que o governo avalie e resolva a situação.

A Áustria anunciou que o “climaticket”, antes conhecido como ticket 1-2-3, vai estar disponível para residentes a partir de outubro. O ticket vai permitir viagens ilimitadas no transporte público dentro de um estado por um euro por dia, dentro de dois estados por dois euros por dia e, por três euros por dia, na Áustria toda. Por enquanto, Viena, Baixa Áustria e Burgenland estão de fora do projeto, mas os organizadores esperam encontrar uma solução para as questões levantadas por eles até o lançamento.

Alemanha

Na Alemanha, aos 45 do segundo tempo, na sexta-feira, o país fez o anúncio tão aguardado por tantos brasileiros. O Brasil deixou de ser considerado um local com variante de coronavírus e agora será um local de “alta incidência”. Isso significa que pessoas totalmente vacinadas vindas do Brasil poderão entrar na Alemanha sem a necessidade de fazer quarentena ou PCR e sem um motivo urgente. Ou seja, o país volta a aceitar até turistas, desde que totalmente vacinados. Por enquanto, porém, a Alemanha ainda não aceita todas as vacinas, e a coronavac não está na lista. Mais detalhes sobre essa reabertura você encontra em um post que fiz no Instagram.

No fim de semana, Merkel pela primeira vez fez palanque para Armin Laschet e defendeu a candidatura do seu sucessor na CDU. O partido dos cristãos vem caindo nas pesquisas de opinião, assim como a candidata dos Verdes, Annalena Baerbock. Quem anda subindo é o atual ministro das Finanças e candidato do SPD, Olaf Scholz. Estamos a cinco semanas das eleições e ainda há diversas possibilidades de coalizões no país.

Merkel se encontrou com o presidente da Rússia Vladimir Putin e disse que pressionou ele em relação à situação do opositor Alexei Navalny. No ano passado, Navalny teve que ser enviado para a Alemanha para tratamento após ter sido envenenado. Especialistas afirmam que o veneno foi um típico usado pelos militares russos, mas o país nega envolvimento. Navalny voltou para a Rússia e foi preso acusado de fraude – os russos negam que a prisão tenha motivação política.

Trabalhadores dos trens na Alemanha anunciaram mais uma greve para essa semana. O sindicato GDL disse que pretende ficar em greve até 25 de agosto, a segunda ação em semanas. A greve começou com transportes de carga no sábado e vai passar a afetar passageiros a partir de segunda-feira. O grupo pede aumento salarial de 3,2% e um bônus de coronavírus de 600 euros para os trabalhadores. A empresa Deutsche Band disse que está preparada para negociar um bônus do corona e um aumento salarial em duas etapas, de 1,5% a partir de janeiro de 2022 e 1,7% em março de 2023.

Vizinhos

Na Suíça, uma pesquisa mostrou que quase 70% das pessoas são a favor do casamento gay. O país vai ter um referendo para decidir sobre o tema em setembro. A lei que permitia casamento entre duas pessoas do mesmo sexo foi aprovada no fim do ano passado, mas contestada depois que opositores conseguiram mais de 50.000 assinaturas para levar a legislação a referendo popular. Por enquanto, a Suíça permite apenas que casais gays registrem uma união civil, um status que não permite adoção de crianças pelo casal, uso de doação de esperma e nem obtenção de cidadania facilitada.

Na Polônia, um conselho regional decidiu que quer continuar sendo uma “zona livre de LGBT”. Diversas autoridades no país se declararam como “livres de ideologia LGBT”, o que na prática significa que são regiões onde é proibido “promover homossexualidade”, especialmente em escolas. A definição de o que é ou não ideologia LGBT ou promoção desses valores é bem pouco específica ou clara. A questão dos direitos gays na Polônia já colocou o país mais de uma vez em confronto com órgãos oficiais da União Europeia e outros países europeus.

2 comentários

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