Fortes chuvas e enchentes atingiram o oeste da Alemanha a partir do dia 14 de julho. Mais de 160 pessoas morreram, centenas ficaram feridas e cidades inteiras foram destruídas. Os números de mortos e feridos tendem a aumentar, pois há ainda há esforços de resgate acontecendo. Entretanto, as esperanças de recuperar pessoas vivas após essa tragédia estão cada vez menores. O nível de chuvas e enchentes levou à descrição de “um evento que acontece uma vez a cada 500 anos”.
Os estados mais afetados foram Renânia do Norte-Vestfália, o mais populoso da Alemanha, e Renânia-Palatinado.
Enchentes Alemanha: por que aconteceram?
Especialistas ainda estão avaliando as causas de tanta chuva, enchente e destruição. Algumas questões, porém, são bem relevantes:
- Primeiramente, diferenças de temperatura e pressão do ar na região fizeram com que as tempestades ficassem limitadas a uma área específica por muito tempo;
- Essa área ainda possui muitos pequenos rios (têm menos espaço para comportar cheias) que inundaram. Além disso, as cidades estão em vales e com alta urbanização. Ou seja: mais concreto no chão, que impede que o solo absorva água. Tudo isso, então, colaborou para termos enchentes devastadoras e extremamente rápidas;
- É difícil associar mudanças climáticas a um evento específico. Entretanto, temperaturas mais altas causam maior condensação da água. Além disso, permitem que nuvens carreguem mais umidade.
O que deu errado?
Agora, a Alemanha está tentando entender como tanta gente morreu nessa catástrofe. Alguns pontos estão sendo mais discutidos:
- A estrutura das casas: residências desabaram com a força da água e deslizamentos. Algumas dessas casas têm mais de cem anos e foram feitas sob uma base de madeira (Fachwerk). Essa base não oferece proteção para esse tipo de evento climático.
- O mesmo problema de infraestrutura defasada existe no país todo. Por exemplo, em relação a estradas, pontes e telecomunicação.
- Sistema federalista: na Alemanha, cada estado independentemente resolve muitas questões. No toma-lá-dá-cá, com políticos apontando dedos e poucos assumindo responsabilidades, quem sofre é o povo.
- Velocidade das enchentes: em menos de um minuto, porões já haviam sido totalmente inundados. Isso sem que as pessoas soubessem o quão rápido isso pode ocorrer.
- Problemas de comunicação e alerta.
Problemas de comunicação
Três dias antes do desastre, a Alemanha já tinha o alerta do potencial das chuvas. O supercomputador do governo fez uma previsão com 90% de certeza que cidades no oeste da Alemanha sofreriam com chuvas e alagamentos. Então, por que não avisaram e evacuaram a população?
Foi uma combinação de sistemas falhos, erro humano e subestimar alertas por nunca ter acontecido algo desse tamanho.
- Sistema de alerta por aplicativos: não são todos os alemães que têm os apps de alerta. Além disso, eles podem ser facilmente ignorados por quem tem. E mais: não são confiáveis em caso de queda de energia e conexões, como aconteceu.
- TVs e jornais repercutiram alertas da agência meteorológica. Só que para muitos, foi só um alerta entre vários.
- Sistema de alerta por sirenes: poucas cidades na Alemanha possuem esse sistema que foi aos poucos desligado após a Segunda Guerra Mundial.
A Alemanha agora quer instituir um sistema de alerta por SMS. Antes, esse sistema havia sido rejeitado. Primeiro por ser caro. Mas também por uma proteção aos dados das pessoas. Mesmo assim, SMS é sujeito a falhas humanas e tecnológicas. Por exemplo, aparelhos desligados ou pessoas dormindo.
As regiões que não tiveram mortes foram as que tinham e usaram os alarmes de sirenes. Ou então as que enviaram caminhões de bombeiros com alto-falantes para alertar a população.
A relutância de políticos em agir quando há alertas metereológicos também foi um fator. Assim como a relutância da população. A responsabilidade, porém, é das autoridades.
Quais são as repercussões?
- O governo federal anunciou então um pacote de ajuda imediata de EUR 200 milhões. Os estados afetados também vão contribuir com mais EUR 200 milhões. Além disso, mais dinheiro virá no futuro.
- O sistema de alertas na Alemanha vai ser alterado.
- Infraestrutura precisa ser revista no país para que a Alemanha esteja melhor preparada para eventos climáticos extremos.
- Uma grande mancha no final do Governo Merkel: a tragédia vai certamente marcar os últimos meses de um governo de quase duas décadas.
- Reflexo nas eleições federais: nenhum dos três principais candidatos à chancelaria se destacou como líder após o desastre. Armin Laschet (CDU) fez pouco e foi filmado dando risadinhas em uma das cidades afetadas. Annalena Baerbock (Grünen) continua vista sem se destacar como líder em momentos de crise. Já Olaf Scholz (SPD) foi o que se destacou minimamente, principalmente por propor o pacote financeiro.
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