Ela entrou desesperada pelo terminal 2.
– Joel!
Chorava muito e, desengonçada, carregava duas caixas de isopor. Vestia uma blusa branca, que era larga, mas não disfarçava sua gorda barriga, uma bermuda verde limão velha e apertada e chinelos azuis. A única coisa que parecia estar em ordem naquela mulher era seu rabo de cavalo: alto, firme, contendo os cachos artificialmente acobreados.
O restante eram lágrimas e gritos:
– Joel!
Ninguém tirava mais nenhuma palavra da boca daquela mulher. E então muitos automaticamente passaram a procurar a tal criança. Os gritos se multiplicaram:
– Joel!
– Joel!
– Joel!
– Joel!
Foi quando ela finalmente avistou Joel. Eu nem havia percebido, mas ele estava bem atrás de mim, na fila para a área de embarque, o tempo todo.
Joel era magro, mirradinho, até. E apesar de não ter barba na cara, nada tinha de menino – talvez o canto da boca no sorriso discreto que abriu ao ouvir a voz da moça, mas só.
– Joel!
– Ana!
Por essa o aeroporto não esperava. Joel e Ana nem ligaram para olhares e comentários daqueles que só conhecem amor numa tela de tevê. Deram-se as mãos e saíram juntos e triunfantes do aeroporto. Não sei para onde Joel deixou de ir, mas entendo por que ele ficou.
